• By Inês Vaz Pinto, Ana Patrícia Magalhães, Patrícia Brum
  • Last updated 01 February, 2017

Tróia 6 (Carvalhal, Portugal)

Portugal > District of Setúbal > Grândola > Carvalhal


Esta oficina é composta por 11 tanques (um deles dividido em quatro) dispostos em U em torno de um pátio, e os braços do U ligeiramente abertos em V. A parte sudoeste da oficina está sobreposta pelo edifício identificado como basílica paleocristã e só o contorno de alguns tanques é visível. No último momento, a oficina foi subdividida por muros tardios.

A oficina mediria cerca de 39m de comprimento por 14m de largura mas a sua forma quadrilátera muito irregular não está totalmente visível. Os tanques têm uma profundidade de 2,10 a 2,20m e uma capacidade muito variável de 6 a 57m3. 

A capacidade de produção dos oito tanques visíveis, na última fase, é de 170m3. Na construção original, os cinco tanques não divididos teriam uma capacidade de 178m3. O tanque 1, com um volume de 57m3, é o maior que se conhece em Tróia.

Ressources marines

Os resíduos de peixe recolhidos no fundo do segundo tanque do alinhamento nordeste-sudoeste foram objecto de uma análise preliminar por Brice Ephrem que indicou que a maior parte é composta por clupeídeos associados a sparídeos entre os quais a espécie Pagellus sp. (dourada).

Chronology

Século I (?) - IV

Não existem dados sobre a data de construção da oficina mas a sua grande dimensão, tipo de construção e localização ao nível da praia sugerem que é antiga, talvez do século I, certamente do Alto Império.

Uma parede divisória tem um bordo de Almagro 51c como material de construção, portanto essa divisão não é anterior ao Baixo Império.

O segundo tanque do alinhamento nordeste-sudoeste conservava níveis arqueológicos sobre o fundo. A cerâmica recuperada (Hayes 50A em sigillata africana C, ânforas Africana IIC e Almagro 51c variante B) sugerem que a sua produção terminou no século IV, provavelmente na primeira metade deste século. 

Uma sondagem realizada num tanque sob a basílica revelou que se implantou uma necrópole na oficina abandonada, e um bordo de ânfora da forma Sado 1 variante B indica que a basílica não se instalou antes de meados do século IV (Pinto et al., 2014). Este facto confirma o fim da produção de salgas na primeira metade do século IV.

Bibliography

  • Étienne, R.; Makaroun, Y.; Mayet, F. 1994, Un grand complexe industriel à Tróia (Portugal). Éd. de Boccard, Paris.
  • Pinto, I. V.; Magalhães, A. P.; Brum, P.; Almeida, J. P. 2014, "Novos dados sobre a Tróia cristã", In: Gómez Martínez, S.& Macias, S.& Lopes, V. (eds.). O Sudoeste Peninsular entre Roma e o Islão, Mértola. pp. 104-123.
  • Pinto, I. V.; Magalhães, A. P.; Brum, P. 2011, "O complexo industrial de Tróia desde os tempos dos Cornelii Bocchi", In: Cardoso, J. L.& Almagro-Gorbea, M. (eds.). Lucius Cornelius Bocchus. Escritor Lusitano da Idade de Prata da Literatura Latina. Colloque International de Tróia (6-8 Octobre 2010), Lisboa-Madrid. pp. 133-167.
  • Pinto, I. V.; Magalhães, A. P.; Brum, P. 2014, "An overview of the fish-salting production centre at Troia (Portugal)", In: Botte, E.& Leitch, V. (eds.). Fish & Ships, Production et commerce des salsamenta durant l’Antiquité, Bibliothèque D’Archéologie Méditerranéenne et Africaine, vol. 17, Rome. pp. 145-157.
  • Silveira, T.; Andrade, F.; Pinto, I. V.; Magalhães, A. P.; Cabedal, V. 2014, "Enchimento de praia para protecção das ruínas romanas de Tróia: projecto e acompanhamento arqueológico", Setúbal Arqueológica, vol. 15, pp. 259-304.

Cetaria file citation

Inês Vaz Pinto, Ana Patrícia Magalhães, Patrícia Brum, «Tróia 6 (Carvalhal, Portugal)»,  RAMPPA, Atlantic-Mediterranean Excellence Network on Ancient Fishing Heritage (http://ramppa.ddns.net/cetaria/troia-6), 01 February, 2017.

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